A Dentistry convidou-me para uma conversa sobre o rumo da nossa profissão. E foi directa ao assunto a que volto sempre.
Algures pelo caminho deixámos de nos pensar como médicos da cavidade oral. Fomos formados para olhar para a boca como mecânica — dentes como unidades a reparar, a restaurar, a substituir. Tecnicamente, a profissão nunca esteve tão capaz como está hoje. Mas capacidade não é a mesma coisa que propósito.
A boca não é um compartimento estanque. A infecção e a inflamação crónicas de baixo grau que aí existem não ficam por ali, e enquanto profissão mal começámos essa conversa para além da doença periodontal. A imunologia não é uma nota de rodapé para especialistas dentro da medicina dentária. É o cerne da questão.
É isto que quero dizer com amnésia. Não é competência perdida — é a memória perdida daquilo para que essa competência serve. E por cada ano em que a medicina dentária se mantém separada do resto da medicina, é o paciente que paga a diferença.
O meu agradecimento ao Guy Hiscott e à equipa da Dentistry pela conversa.